Sábado, 4 de Julho de 2009

Resumo: aprofundamento crítico das passagens de Elogio da Loucura, assim como as principais peculiaridades que caracterizam o corpo de seu pensamento.
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A Loucura de Erasmo (parte 2)
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A loucura de Erasmo habita outros âmbitos menos evidentes, mais singelos. A crítica social e política desmedida não somente flerta com o mau-dizer, coisa temporal, mas persiste como um aviso para os levianos do porvir, os homens contemporâneos.
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Embora crítico de grande sagacidade da cristandade católica, seus dogmas e seus preceitos, assim como a impraticabilidade da genuina doutrina cristã dentro do corpo episcopal, Erasmo de Roterdã nunca abdicou ao seu deus. Dentre as muitas tipologias de homem identificadas pelo sarcasmo ferino de suas letras, vale-se ressaltar a contemporaneidade do homem apreciado pela loucura da megalomania do acúmulo, tão contraditório o é para com a filosofia cristã de renúncia de bens e aquisição de riquezas de cunho pressupostamente espirituais. Erasmo não é o ateu da qual se espera àquele desiludido com a prática doutrinária, mas o crente restaurador de espírito Luterano, apto a desatar as ditas Teses em benefício comunal e popular. Mas outro tipo caracteriza o autor: Homem que ousou renegar o aprendizado teórico escolástico a que vivenciou, objetivando a adequação dos meios tradicionais ao fim estimado por bíblicos profetas.
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Temporalmente renascentista, bradou sem palavras auto-censuradas as decadências do despótico sábio que a tudo faz parecer saber, mesmo no bojo de cristãos, e que como diria Sócrates, nada sabe de intrínseco ou genuíno. Destacável e ironicamente, seu sofismo à moda Socrática nos conta que a Loucura é mais valorável que as forças oriundas do saber. Para tal empreitada, prova-nos: Se o que deixamos à porta de casa é como coisas sujas e sem valor, e como que escondemos as coisas valiosas no interior de nossas protegidas residências, percebendo-se que a sabedoria todos fazem menção de mostrar e a loucura de ocultar, deduzimos qual das faculdades é mais bem quista.
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O próprio cristo, aos ensandecidos olhos de Erasmo, é adepto dos loucos, desprezando sábios. Se vinde a mim mulheres e crianças, tais são essas as criaturas desprovidas de razão perante o homem do século dezesseis e posterior. Mais acentuada que a loucura do cristo, é a dos que interpretam ditos cristãos de convenientes formas: Ao exemplo dos padres que acentuam a relevância do dízimo, relegando ao esquecimento os preceitos que permeiam a moralidade. Preceitos esses que, sob a perspectiva de Erasmo, lhe caracteriza os escritos seculares.

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Resumo: Esboço livre da obra de Erasmo, amparado por uma observação moderna de um livro tipicamente atemporal.
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A Loucura de Erasmo
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O avanço técnico-científico provido pelo desempenho otimizado dos homens de ciência é representativo, moderno e contemporâneo da perspectiva que, ao almejar limitar o objeto-de-estudo, ausenta-se da compreensão holística de seus significantes.

O homem cartesiano reduzira o foco de sua análise para melhor compreendê-lo, mas esquecera-se que é a provedora Filosofia, diminuida em relevância pelo afã do cientificismo, que empreende-se em realizar a recomposição total do conhecimento fragmentário. Descartes idealmente salientou a necessidade de tal recomposição e, de maneira ligeira e leviana, não explanou-nos como efetivá-la.

Destes e doutras questões, de maior ou menor relevância, é que igualmente são discutidas à luz da ironia e do sarcasmo sagaz por um nomeado Erasmo de Roterdã, em seu célebre Elogio da Loucura. Para tal esboço, apresenta-nos a Loucura louvando a si mesma, visto que lhe carece de respeitáveis históricos oradores que assim o faça. À maneira lúdica, porém crítica traz-nos o quão desprovido de razão são homens ditos racionais, nos áureos tempos renascentistas. Loucos são os amantes dos jogos e das cartas, os amantes do credo que nada elucida senão pela via monetária, aos estóicos amantes da razão e, porque não dizer, aos amantes do amor em si, se supormos a existência das essências.

Felizes são os loucos, esquecidos das mazelas várias que lhes permeiam, afagados pelo amparo da ilusão apreciadora. Por meio de Erasmo, apercebe-se que muitas são as coisas perenes desde o findar do século XVI. Como o amante do saber, que almeja distinguir-se do populacho por meio de uma inadequada linguagem preciosista, restringindo egoisticamente os seletos sujeitos capazes de compreendê-lo por meio de uma vastidão de arcabouço teórico e infindável amplidão linguistica. Aquele que passa a existência destinado a filosoficamente compreender o que é a vida, da qual certamente não mais habita livros e autores há muito inertes em seus mausoléus.

Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Resumo: Análise estilística e poética da crua realidade das metrópoles, em suas ruas de concreto e de nostálgicos habitantes.
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Queremos ambos!
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In memorian, ouvir "Casa no Campo" do versado Zé Rodrix, cantarolado pelas mais diversas vozes nacionais, remete-nos à paixão interiorana que, na atualidade, ressurge como força precípua e onipotente, dominadora esta dos anseios maiores das grandes metrópoles.
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Digo acerca da sempre presente violência que manda sob toque de recolher os bons, à noite taciturna, retirando-os do justo sono, renegando-lhes à mediocridade de uma vida suburbana. Tancrafiados à sete chaves, marginalizados são seus corpos e corações. Não há mais emoção naquele que presencia e sucumbe ante o absurdo do cotidiano. Pois digo: estão presos esses homens suburbanos, em suas moradias gradeadas.
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Como liberta-se sob égide da chamada democracia o impune, contraditoriamente aprisionando o são em seu lugar originário? A flâmula a que prega os horários eleitorais não mais correspondem às mensagens factuais e cotidianas. O quartel dos aflitos, relegados ao brasileiríssimo esquecimento absoluto, é como pranto surdo e inaudível, silencioso, sem eco e sem mais nada.
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Queremos poesias regionalistas que compreendam o mundo em sua totalidade. Estimamos poesias bucólicas, porém engajadas político-socialmente. Queremos ambos.
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Resta-nos, indignados prosadores, sabiamente versar o quanto queremos "uma casa no campo, onde eu possa ficar do tamanho da paz, e tenha somente a certeza, dos limites do corpo, e nada mais..."
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(Postado originalmente na página folhaexistencialista.com.br).

Sábado, 30 de Maio de 2009

Resumo: Análise generalista do posicionamento cartesiano e darwinista, tal como prós e contras de algumas relevantes observações do filósofo, cientista e ensaísta Descartes.
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Razão, evolução e método
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Embora sejam muitos os que apontaram o erro de Descartes, poucos se atentaram para a gravidade de suas implicações. É este o cientista que, paradoxalmente, adotou-se da razão para aprovar aquilo que já o tinha enquanto dogma.
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Porta voz da proposta racionalista na modernidade, fora Descartes que ensinou-nos acerca da necessidade premente da reavaliação educacional, assumidamente escolástica. Propondo o rompimento com a aceitação pouco volátil e pouco criteriosa que caracteriza o senso comum, propôs método acuidoso para solucionar o alcance à estimada verdade, supostamente passível de adequada análise experimental humana e das coisas tangíveis.
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Para tal, o filósofo instruiu-nos sobre a prudência do ceticismo que, ao questionar obviedades até então tidas como unânimes, chegara à questão metafísica de maior teor: se todo o menor ou menos perfeito é originado de uma causa maior ou dotada de maior proximidade da perfeição, é o homem originário de uma causa que lhe é superior, portanto, evidencia a causalidade divina. Pois que nada pode originar alguma coisa, visto que do nada, nada provem. De tal forma, sendo este ser dotado de todos os atributos positivos, pois que de constituição perfeita, é também dotado do atributo da existência. Pois que, tal qual Descartes, a prova racional da existência de Deus.
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Embora até então encarada por teólogos como evidência racional e irrefutável da tese criacionista, hoje nos evidencia uma falácia sob forma de silogismo, aparência de realidade tão-somente enquanto jogo lingüístico. Certamente não conhecera o Darwin, visto que séculos separa sua existência do seu antônimo teórico. Charles D., ao subverter tal pensamento muito posteriormente, evidenciando seu absoluto rompimento com a perspectiva cristã, ensina-nos que de um imperfeito Homo Erectus, pode advir um evoluído Sapiens, coerentemente questionando a supremacia hominídea da razão sobre as demais espécies.
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É mais do que evidente, como nos confessou o próprio autor de Discurso do método, a perpétua preocupação e compromisso do cientista em propor soluções às ciências naturais que não conflituosas com a doutrina e política cristãs. Ademais, não foram poucos os artigos por Descartes não publicados, após condenação de Galileu e suas teses, inclusas no vastíssimo Índex.
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- Silier Borges